Pintura ao ar livre Visita
Projeto de entrevistas em vídeo com artistas da pintura, onde nos encontramos em seus ateliês para conversar sobre seus processo e obra, abordando questões da sua trajetória, procedimentos de trabalho e perspectivas do mundo. Todos os vídeos estão publicados em nosso canal do YouTube.
FÁTIMA PENA
Inauguramos com Fátima Pena, artista pintora e ex-professora da Escola Guignard. Desde 1976, ao longo de seus quase 40 anos de pintura, trabalhando entre retratos, paisagens, situações e abstrações, Fátima participa de diversas exposições, mostras e premiações pelo país, além de ter obras em coleções públicas.
“Fátima pinta como que a procurar dar visibilidade ao que é indizível, portanto, virtualmente inapreensível, construindo um discurso visual que, sem literalizar a narrativa, vai tocar o que está no âmago - no abismo - das coisas. Essa percepção da realidade, tocando seus mistérios, para retocar seus sentidos, constitui seu duro “trabalho poético”, sua jornada a atravessar o grande sertão da pintura.
[...] Seus temas são recorrentes: a paisagem em volta, pequenos detalhes recortados de lugares “insignificantes”, descobertos em suas caminhadas pela cidade, objetos de uso cotidiano, cantos da casa, do atelier, do jardim, pessoas encontradas ao acaso, gente comum, os familiares, a imagem da própria artista, apreendidos e transfigurados na pintura com um sentimento de afeto que não compromete a consciência de que aquilo, também, é um quadro, uma pintura.”
(Texto de Márcio Sampaio, 2006)
ANDREA LANNA
No segundo vídeo da série conversamos com Andrea Lanna, artista plástica e ex-professora da Escola de Belas Artes da UFMG. Em seus trabalhos Andrea elabora jogos formais, composições instalativas e outras paisagens possíveis através da pintura.
“Nas épocas enciclopédicas, era nos herbários que se “exprimia” - nos dois sentidos do termo - o imaginário das selvas. Não sabemos o quanto um gesto desse tipo pode conter de prazer. Deve-se a certa retenção no fazer. Mas também ao poder que a pintura sempre teve de conter nas suas dimensões o sonho de animação das aparências.
À primeira vista, a pintura de Andrea Lanna se entrega aos padrões da germinação. Segue seu curso vital no fundo verdejante e no espelho azul da linguagem. O fino tronco e os finos galhos, silhuetas, são o esquema de suas ramificações. A futura vegetação das florestas contenta-se de nascer no plano. Mas ela vem e se ergue.”
(Trecho do texto de Stephane Huchet, publicado no catálogo da exposição individual “Calendário”, Centro Cultural Unimed/Minas, Belo Horizonte, 2018)